Quadrophenia (1979)

15 01 2009

quadrophenia1

Quadrophenia, o filme,  é baseado “levemente” (em termos de história) no álbum de ópera-rock homônimo da banda The Who, cuja participação dessa vez foi apenas na orientação musical do filme, ao contrário de Tommy, onde os integrantes da banda e vários convidados atuaram.  Mesmo assim, Quadrophenia, tal como a obra musical da banda The Who, é um  daqueles raros filmes despretensiosos que conseguem captar com fidelidade a energia e o estado de espírito de uma época particular. Nesse caso estamos falando da Inglaterra dos anos 60, quando a moda juvenil e estilo de vida era ser um Mod, gangue adepta do rock e R&B britânico (principalmente The Who, Smallfaces e The Yardbirds), cabelo curto, terninho justo e cujo meio de transporte eram as scooters, geralmente lambretas ou vespas enfeitadas e cheias de retrovisores. O motivo de tantos retrovisores era devido a uma nova imposição da lei britânica, que exigia ao menos 1 retrovisor, sendo assim os mods zombaram da nova lei e haviam scooters que possuíam até 32 retrovisores!   Já o outro lado, totalmente oposto e rival, chamado de rockers, dirigiam motos potentes e usavam jaquetas de couro e visual mais largado, além de apreciar mais o estilo americano. Eram frequentes as brigas e encontros em balneários londrinos, sendo o mais famoso Brighton, cuja principal encontro deste tipo é representado no final do filme, onde destruição e caos são a palavra de ordem, causando pânico nos londrinos e muito trabalho para a polícia. Os mods eram grandes  consumidores de anfetaminas e tinham um estilo muito próprio de dança, geralmente se encontravam em pubs famosos na época como Goldhawk e Marquee Club.

 O personagem principal do filme, o problemático Jimmy, é interpretado por Phil Daniels e através dele e de suas ações vamos conhecendo o mundo particular dos mods e rockers.

   Jimmy trabalha na parte da manhã como uma espécie de office boy interno e é um rebelde por excelência, tem raiva de tudo, do seu serviço, dos seus pais e principalmente de seus amigos! Ele chega a causar tantos problemas que é posto para fora de casa pela própria mãe. Além disso, tem um relacionamento amoroso mal correspondido com Steph ( Leslie Ash), que desperta nele uma angústia extrema. Um dos diálogos mais interessantes é quando ele encontra um antigo amigo de colégio, Kev, que agora é um rocker, e diz o seguinte:

Jimmy: Ei, eu nunca percebi.
Kev: Nunca percebeu o quê?
Jimmy: Que você é um rocker.
Kev: Como assim, eu sou negro ou o quê?

Jimmy: Bem, você não pode ser considerado branco usando essa roupa, não é mesmo?

   Esse dialógo representa justamente como era a vida desses jovens rebeldes, cujo estilo de vida era ser ou não ser, não havia meio-termo. O pensamento dos mods era aproveitar a vida ao máximo, a sua filosofia é que o importante é o agora, pois amanhã podemos estar mortos.  Uma das curiosidades do filme também é a primeira aparição cinematográfica do cantor Sting, que interpreta um símbolo por excelência de como ser o perfeito mod,  bonitão e cobiçado pelas garotas. Jimmy descobre ao longo do filme que o mesmo não passa de um mensageiro de hotel e essa cena é ao mesmo tempo engraçada e desesperadora, pois Jimmy entra em parafuso, pois já estava abalado por ter “perdido” sua garota para um amigo, ter sido expulso de casa e brigado com seu chefe e pedido demissão. E como desgraça pouca é bobagem, ele ainda se envolve num acidente de trânsito e sua scooter é destruída.  Após tudo isso, ele acaba roubando a linda scootter de Sting e sai desnorteado em direção a um desfiladeiro, ao som da bela Love, Reig O´er Me, do The Who.

  Chegando ao final do filme temos uma pequena polêmica: Jimmy morre ou não morre? Pois tudo indica que sua insatisfação com o estado das coisas faz o levar ao suicídio, se jogando do desfiladeiro. O final é aberto, pois não vemos corpo nenhum e apenas a scooter despencando de encontro às rochas.

  Eu prefiro pensar o final como uma metáfora onde na verdade o que morre é o estilo de vida de Jimmy, representado pela scooter destruída em vários pedaços. Ali Jimmy se encontrava num labirinto emocional e só se desprendendo de certas coisas é que ele poderia repensar e viver uma nova vida.

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4 responses

15 01 2009
Cassiano Sairaf

Seja bem vindo a comunidade blogueira, espero, como disse na sua apresentação mais abaixo, que esse seja mais um espaço democrático, pronto para falar das falcatruas do futebol brasileiro, assim como cinema!

15 01 2009
Otavio Almeida

Téquinfim!!! Parabéns pelo blog! Colocarei teu link lá no HOLLYWOODIANO!

E vê se fala mais de cinema! Esquece rasgação de seda pra cima da bambizada.

Grande abraço!

15 01 2009
Roberto Queiroz

Dennis, primeira vez que entro aqui e com que prazer me deparo com Quadrophenia (um clássico para os cinéfilos mais fanáticos como eu, por exemplo). O nascimento de um blog é sempre difícil: sempre ficamos temerosos se vai dar certo, se vou dar conta do recado, se sempre terá pauta, enfim (comigo foi assim). Desejo sorte na comunidade blogueira e espero compartilhar de suas idéias. Bem-vindo a estrada virtual do cinema, meu caro.

E como não perco minha mania de indicar filmes, recomendo (pois não faz mal a ninguém):
Transpotting, de Danny Boyle;
Velvet Goldmine, de Todd Haynes;
Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón;
Zona do Crime, de Rodrigo Plá.

15 01 2009
denistorres79

Roberto, obrigado pela visita. Hoje é meu primeiro dia de blogueiro e vc já encontrou um filme que gosta, que bom! Obrigado pelas suas sugestões, de todos esses só não vi Zona do Crime, mas espero escrever sobre os demais no futuro. Abs.

Otávio, antes tarde do que nunca. São Paulo always na cabeça e toma cuidado que esse ano vamos ficar mais insuportáveis! Abração.

Cassiano, aceite as coisas como são! São Paulo campeão ano sim, ano não! Ou será todo ano? Abs.

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