Por favor, rebobine (2008)

26 01 2009

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Rebobine, por favor, é daquelas comédias pouco vistas  e fora do padrão no cinema atual. A história gira em torno de 3 personagens:  Jerry (Jack Black), Mike (Mos Def) e Elroy Fletcher (Danny Glover), este último dono de uma locadora decadente que ainda aluga fitas VHS num prédio prestes a ser demolido.  Fletcher sai à procura de idéias de como ressuscitar e ter dinheiro para manter seu negócio. Enquanto isso, deixa seu funcionário Mike tomando conta da loja. O problema é que Mike tem como melhor amigo Jerry, e todos sabem que quando Jack Black está na área é melhor sair de baixo…

      Assim que Jack entra na loja todas as fitas são desmagnetizadas, pois o mesmo foi eletrocutado e agora é um imã ambulante. Para que o já fraco negócio de Fletcher não vá a total falência,  Jerry e Mike fazem remakes tosquíssimos e hilários dos filmes apagados e não é que eles se tornam um sucesso?  Filmes como Ghostbusters, Rush Hour 2, Rei Leão, Robocop, entre outros, são encenados pela dupla de forma impagável. Segure o riso na cadeira!

     O elenco feminino é muito bom: temos Sigourney Weaver numa participação rápida, Melonie Diaz encanta com seu jeito travesso e Mia Farrow está ótima como a meiga e doce amiga de Fletcher.

  A trilha sonora de Rebobine, Por Favor é um delírio, principalmente para quem gosta de Jazz. E quem conhece Fats Waller vai adorar toda a brincadeira feita com o lendário músico,  cuja autobiografia é refeita no filme. Clássicos como “Your Feets Too Big’, “Ain’t Misbehavin” e “I Ain’t Got Nobody’  fazem parte da educação de qualquer um que aprecie boa música.

   Porém, quem está pensando que Por Favor, Rebobine é apenas uma comédia bobinha e leve, está enganado. Nossos tempos cínicos fazem esquecer que o cinema foi e deveria ser, uma experiência coletiva.  Fica claro no filme que contar uma história é uma necessidade humana, por mais tola que seja. Todos queremos fazer parte de algo maior e sonhar é belo, mesmo que esse sonho nunca se realize. No escuro do cinema somos todos crianças à procura de nosso passado e vislumbramos nosso futuro com fé. Sim, os blockbusters e as mega-produções nos fizeram esquecer ou consumir esse sonho de forma desenfreada e quase irracional, sem nenhuma reflexão.

   O novo filme do diretor francês Michel Gongry não é nenhum quebra-cabeça como o belíssimo filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, mas ele é encantador pela sua simplicidade, pela produção modesta que é e pela química entre os atores, todos em casa. É aquele tipo de filme que certos atores até deveriam abrir mão do cachê, pois fica evidente como muitos deles estão à vontade e felizes por participarem de algo tão leve e divertido.  A cena final é emocionante e serve como exemplo para que todos não se esqueçam de saborear os momentos simples e preciosos que tem se tornado tão raros.

(Publicado originalmente em 29/09/08 no blog Hollywoodiano, do meu colega Otávio)

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