Um lance no escuro (1975)

16 01 2009

Resgatando a memória do bom cinema americano, venho partilhar esta semana com vocês o filme Um Lance no Escuro, uma pérola esquecida por muitos, inclusive lá fora, pois não fez muito sucesso na época de seu lançamento. 

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 Dirigido pelo grande Arthur Penn ( Bonnie e Clyde, O Pequeno Grande Homem) e estrelado por Gene Hackman, que interpreta aqui o detetive particular Harry Moseby, contratado por uma atriz hollywoodiana decadente para investigar o desaparecimento de sua filha, Delly Grastner (Melanie Griffith, com cara de bebê, em um de seus primeiros papéis, só reconhecível pela sua famosa voz estridente). Enquanto procura pistas, Harry Moseby está passando por uma crise existencial em seu casamento. Acostumado a tirar fotos e investigar casos de traição, acaba descobrindo que sua própria esposa o está traindo!

Não sabendo muito bem lidar com essa situação, pois desta vez é no plano pessoal, o detetive se afunda cada vez mais na nova investigação, como forma de fuga. As pistas sobre a garota desaparecida levam o detetive a viajar até a Flórida, lugar onde a história se complica e toma nuances cada vez mais interessantes. A partir daí não dá pra revelar mais nada, sob o risco de estragar a apreciação de quem não viu o filme. O que posso dizer é que o detetive acaba tendo um caso com outra mulher e descobre que o fundo do buraco é mais embaixo.

O final é surpreendente e vale o filme por si só. A interpretação de Hackman é extraordinária, pois ele passa toda a angústia do personagem sem precisar abrir a boca. Desde o começo você já percebe que se trata de um filme diferente, pois as pessoas da história são multifacetadas e não tem aquele negócio de bonzinho x malvado, além da ênfase ser dada tanto na ação como na parte psicológica . A atmosfera do filme é suja, coisa que havia de sobra nesses bons filmes dos anos 70 e que não se encontra muito nos filmes “politicamente corretos” de hoje em dia.

Dica:  Preste atenção nos diálogos banais dos 15 minutos iniciais do filme, pois eles são a chave para se entender o mistério que só se revelará no final.

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Cada um vive como quer (1970)

15 01 2009

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Cada um Vive Como Quer (Five Easy Pieces, 1970) é um dos filmes marcantes da contracultura – tão em voga no início da década de 70. É também um veículo feito sob medida para Jack Nicholson, que consolidou sua carreira como megastar e também a imagem de rebelde, sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo papel.

Feito um ano após Easy Rider, que é o ícone máximo desse movimento, Cada um Vive Como Quer foi definitivo para o amadurecimento de Jack Nicholson como ator – sendo o seu primeiro papel realmente sério e importante. Em Easy Rider, ele está solto e descontraído, já em Cada um Vive Como Quer, seu personagem é mais centrado e complicado. Analisando a partir da persona de Nicholson, o filme atua como uma ponte entre Easy Rider e Um Estranho no Ninho, clássico de Milos Forman em que ele atinge a sua expressão máxima como ator, com uma desenvoltura que poucos conseguiriam usar para representar o tipo louco, cínico e rebelde, mas sem jamais perder o charme.

A história gira em torno de Robert E. Dupea (Nicholson), pianista de talento, de família abastada, que largou sua vocação e foi trabalhar como peão num campo de petróleo. Sem falar com o pai há anos, Dupea é um homem que ainda não encontrou um lugar ao sol, sempre inconformado com as regras e convenções da sociedade, e que as desafia inutilmente, prejudicando cada vez mais a sua vida e as pessoas de seu círculo.

Uma das cenas mais famosas do filme é quando Dupea vai a um diner, típico bar e restaurante americano de beira de estrada, e briga com uma garçonete que não consegue atender ao seu pedido. É hilário!

Cada um Vive Como Quer foi o primeiro filme de uma suposta trilogia desconexa, toda dirigida por Bob Rafelson e estrelada por Nicholson (os trabalhos seguintes foram O Dia dos Loucos e Sangue e Vinho). Cada um Vive Como Quer é disparado o melhor dos três, porém vale a pena dar uma olhada em Sangue e Vinho, afinal possui uma história interessante e reúne dois grandes atores que jamais haviam trabalhado juntos: Jack Nicholson e Michael Caine.





Ricardo Montalban (1920 – 2009)

15 01 2009

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Morreu ontem em Los Angeles, CA, Ricardo Montalban, famoso pelo personagem Sr. Roarke em A Ilha da Fantasia, seriado em que contracenava com o inesquecível anão Tatto (Hervé Villechaize 1943-1993). Outro papel importante foi o de vilão de Star Trek, Khan, em Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan.





Quadrophenia (1979)

15 01 2009

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Quadrophenia, o filme,  é baseado “levemente” (em termos de história) no álbum de ópera-rock homônimo da banda The Who, cuja participação dessa vez foi apenas na orientação musical do filme, ao contrário de Tommy, onde os integrantes da banda e vários convidados atuaram.  Mesmo assim, Quadrophenia, tal como a obra musical da banda The Who, é um  daqueles raros filmes despretensiosos que conseguem captar com fidelidade a energia e o estado de espírito de uma época particular. Nesse caso estamos falando da Inglaterra dos anos 60, quando a moda juvenil e estilo de vida era ser um Mod, gangue adepta do rock e R&B britânico (principalmente The Who, Smallfaces e The Yardbirds), cabelo curto, terninho justo e cujo meio de transporte eram as scooters, geralmente lambretas ou vespas enfeitadas e cheias de retrovisores. O motivo de tantos retrovisores era devido a uma nova imposição da lei britânica, que exigia ao menos 1 retrovisor, sendo assim os mods zombaram da nova lei e haviam scooters que possuíam até 32 retrovisores!   Já o outro lado, totalmente oposto e rival, chamado de rockers, dirigiam motos potentes e usavam jaquetas de couro e visual mais largado, além de apreciar mais o estilo americano. Eram frequentes as brigas e encontros em balneários londrinos, sendo o mais famoso Brighton, cuja principal encontro deste tipo é representado no final do filme, onde destruição e caos são a palavra de ordem, causando pânico nos londrinos e muito trabalho para a polícia. Os mods eram grandes  consumidores de anfetaminas e tinham um estilo muito próprio de dança, geralmente se encontravam em pubs famosos na época como Goldhawk e Marquee Club.

 O personagem principal do filme, o problemático Jimmy, é interpretado por Phil Daniels e através dele e de suas ações vamos conhecendo o mundo particular dos mods e rockers.

   Jimmy trabalha na parte da manhã como uma espécie de office boy interno e é um rebelde por excelência, tem raiva de tudo, do seu serviço, dos seus pais e principalmente de seus amigos! Ele chega a causar tantos problemas que é posto para fora de casa pela própria mãe. Além disso, tem um relacionamento amoroso mal correspondido com Steph ( Leslie Ash), que desperta nele uma angústia extrema. Um dos diálogos mais interessantes é quando ele encontra um antigo amigo de colégio, Kev, que agora é um rocker, e diz o seguinte:

Jimmy: Ei, eu nunca percebi.
Kev: Nunca percebeu o quê?
Jimmy: Que você é um rocker.
Kev: Como assim, eu sou negro ou o quê?

Jimmy: Bem, você não pode ser considerado branco usando essa roupa, não é mesmo?

   Esse dialógo representa justamente como era a vida desses jovens rebeldes, cujo estilo de vida era ser ou não ser, não havia meio-termo. O pensamento dos mods era aproveitar a vida ao máximo, a sua filosofia é que o importante é o agora, pois amanhã podemos estar mortos.  Uma das curiosidades do filme também é a primeira aparição cinematográfica do cantor Sting, que interpreta um símbolo por excelência de como ser o perfeito mod,  bonitão e cobiçado pelas garotas. Jimmy descobre ao longo do filme que o mesmo não passa de um mensageiro de hotel e essa cena é ao mesmo tempo engraçada e desesperadora, pois Jimmy entra em parafuso, pois já estava abalado por ter “perdido” sua garota para um amigo, ter sido expulso de casa e brigado com seu chefe e pedido demissão. E como desgraça pouca é bobagem, ele ainda se envolve num acidente de trânsito e sua scooter é destruída.  Após tudo isso, ele acaba roubando a linda scootter de Sting e sai desnorteado em direção a um desfiladeiro, ao som da bela Love, Reig O´er Me, do The Who.

  Chegando ao final do filme temos uma pequena polêmica: Jimmy morre ou não morre? Pois tudo indica que sua insatisfação com o estado das coisas faz o levar ao suicídio, se jogando do desfiladeiro. O final é aberto, pois não vemos corpo nenhum e apenas a scooter despencando de encontro às rochas.

  Eu prefiro pensar o final como uma metáfora onde na verdade o que morre é o estilo de vida de Jimmy, representado pela scooter destruída em vários pedaços. Ali Jimmy se encontrava num labirinto emocional e só se desprendendo de certas coisas é que ele poderia repensar e viver uma nova vida.





Todos os Homens do Presidente (1976)

15 01 2009
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Teclas de uma máquina de escrever atingem a folha de papel com a força do disparo de uma arma. Assim começa Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men, 1976), um dos melhores e mais corajosos filmes norte-americanos da década de 70.


Alan J. Pakula dirigiu com maestria e fez algo extremamente difícil: transformar política e jornalismo investigativo numa obra de arte agradável, sem se tornar chata e que prende a atenção do espectador como todo bom thriller.

O filme conta a história do escândalo do Watergate, que foi um dos casos políticos mais escabrosos da história dos EUA, e que causou a renúncia do presidente Richard Nixon, em seu segundo mandato. Para quem não conhece muito bem, Watergate é o nome do edifício em que se localiza a sede do Democratic National Committee (DNC), lugar onde cinco homens da administração de Nixon tentaram se infiltar e foram pegos em flagrante. Isso gerou outros casos de implantação de provas falsas feitas pelo governo Nixon para derrubar seus oponentes, além de utilização de dinheiro de fontes duvidosas para promover sua campanha de reeleição. O filme é baseado no livro homônimo dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, interpretados respectivamente por Dustin Hoffman e Robert Redford. E essa é a grande sacada do filme: a derrocada de Nixon do ponto de vista dos jornalistas, que apenas faziam seus trabalhos.
 

A verdade é que Todos os Homens do Presidente não teria ido muito longe se não fosse por um funcionário do alto escalão do governo norte-americano, o misterioso (que existiu na vida real) Deep Throat. É ele quem dá dicas quentes ao personagem de Redford para que a investigação siga no caminho correto. Ele lembra muito o outro Deep Throat, aquele da série Arquivo X, de quem o detetive Fox Mulder (David Duchovny) recebia informações. Até os encontros são parecidos!
 

Vale mencionar que além dos ótimos atores principais, o filme tem um elenco de atores coadjuvantes do mesmo nível, com destaque para Jason Robards, que papou o Oscar interpretando o editor-chefe do jornal Washington Post. O filme também ganhou os Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, Direção de Arte e Som.

Todos os Homens do Presidente é uma história tratada com seriedade e não abre mão de apresentar os fatos tais como ocorreram, e recentes na época do lançamento – o filme foi realizado apenas quatro anos após o escândalo. É lógico que há elementos fictícios, mas nada que comprometa o essencial, que é a busca pela verdade e transparência perseguida com tenacidade e persistência pelos dois repórteres, que mudaram e criaram um novo modelo de jornalismo, mais competente e que não aceita desculpas fáceis.





O primeiro post a gente nunca esquece

15 01 2009

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Apesar de meio relutante quanto a criar um blog pessoal, resolvi tomar vergonha na cara e me aventurar no meio. Aqui se discutirá de tudo – não só cinema – e caso eu tenha vontade de comentar sobre a previsão do tempo e coisas menos relevantes, comentarei. Não tenho pretensão de fazer um blog todo certinho, pois eu sou zoado mesmo e meu blog não será uma falsa imagem de minha pessoa. Pretendo ser o mais descontraído possível, afinal a vida tá cheia de problemas e quem vem aqui é para se divertir e relaxar. Peço a todos visitantes paciência e educação, pois todos serão bem tratados aqui sem distinção. Como vocês sabem, opinião é uma merda, mas todos adoramos compartilhá-la. Que o meu encanto pela sétima arte mantenha o frescor e a inocência de um Toto admirando um fotograma. Como dizia um tal de Hipócrates: “A arte é longa, a vida é breve”. Let the shit begins!