Grandes Cineastas #1: Jim Jarmusch

9 03 2009

jim-j

Jim Jarmusch é conhecido como o cineasta americano independente (palavra que ele mesmo odeia) dos anos 80 que deu voz às pessoas insignificantes e excluídas da sociedade, ou mesmo aquelas que são simplesmente estranhas e fora do conceito padrão, como ele mesmo.

Cult é uma definição que persegue todos os seus trabalhos, desde a sua obra-prima “Estranhos no Paraíso” até o mais recente “Flores Partidas”. Um interessante longa de sua filmografia é o semi-documentário “Sobre Café e Cigarros”, projeto inicado em  1986 e que só foi lançado em seu formato final em 2004, pois se trata de várias conversas feitas ao longo desses anos com amigos e gente famosa da maneira mais descontraída possível.

Nascido em Akron, Ohio, em 22/02/53, Jarmusch fixou residência em Nova York, onde foi aluno do grande cineasta Nicholay Ray, um de seus incentivadores, na famosa  New York Film School. Seus estudos não foram até o fim, pois na sua urgência de filmar algo, logo abandonou os mesmos utilizando o dinheiro de sua bolsa para custear seu primeiro filme, Permanent Vacation (1980).

A princípio, o filme não foi bem recebido por seus professores, com exceção de Ray, que o ajudou. Filme de baixíssimo orçamento mas cheio de criatividade, Permanent Vacation abriu os olhos da crítica para esse talento promissor.

Seu filme seguinte, Estranhos no Paraíso (1982), é considerado por muito sua obra-prima e definitivamente colocou Jarmusch como um nome a ser respeitado. Aqui já se percebe os temas principais que irão pontuar toda a sua carreira daí em diante: longos planos reflexivos, personagens desencontrados, a decadência da cultura americana, a comunicação entre culturas diferentes e principalmente a falta da mesma.

Jim Jarmusch formou no cinema uma das parcerias musicais mais criativas de sua história com Tom Waits, responsável pelas trilhas e canções dos seus melhores filmes. Jarmusch/Waits formam uma união perfeita, incorporando ideias quanto à ambientação e estética como ninguém. É só escutar aquela sua voz rasgada e rouca e imediatamente podemos nos transportar ao universo onírico de Jarmusch. É importante também lembrar a parceria  de Jarmusch com o músico John Lurie, que também atuou em alguns de seus filmes, além de compor as trilhas.

Falando em parcerias, outra que Jarmusch não abre mão é a do seu fotógrafo, o holandês Robby Müller, que consegue criar todo aquele clima etéreo e frio que seus filmes costumam pedir. Aliás, o cinema de Jim Jarmusch tem esse feeling todo europeu, mas que fala de coisas americanas e expõe uma realidade que não é a vendida pelo sonho americano. Daí a ele ser muito mais reconhecido pelos europeus do que por seus “compatriotas”.

Todos os seus filmes possuem cenas memoráveis, como o hilário diálogo de Roberto Benigni com o taxista em Uma Noite Sobre a Terra (1991) – seu filme mais bem sucedido financeiramente. O mesmo Benigni em Down By Law (1983), como o forasteiro italiano tentando entender as palavras em inglês, com seus amigos presidiários Tom Waits e John Laurie pouco ajudando, oferece momentos impagáveis. Quem se esquece da cena do sorvete?

A dinâmica de seus personagens oferece uma abordagem honesta, comovente e a mais despojada e natural possível. E sempre em lugares decadentes onde quase ninguém olha ou dá importância.

O método de trabalho de Jarmusch é melhor definido por ele mesmo: “Eu me sinto melhor quando estou filmando. Filmar é como sexo. Escrever o roteiro é como a sedução, então a filmagem em si é o sexo, pois você está fazendo o filme com outras pessoas. A edição é como estar grávido, então você dá a luz e eles levam o seu bebê embora. Depois desse processo feito, eu irei assistir o filme  mais uma vez com um público pagante sem que ele saiba que estou na sessão, e então eu jamais o verei novamente. Me canso disso tudo.”

Apesar de estar quase inativo nesta década, o ano de 2009 promete mais um bom filme de Jim Jarmusch: The Limits of Control, que possui gente como Tilda Swinton, Bill Murray, Gael Garcia Bernal e John Hurt em seu elenco. 

Outros filmes a se destacar de Jarmusch são: o irônico Mistério Trem (1989), o anti-western Dead Man (1995) – com o seu colega e agora superstar Johnny Depp, o filme de samurai mais maluco que já vi, Ghost Dog (1999) e o poético Flores Partidas (2005).

Todos filmes à altura de um dos cineastas mais representativos de seu tempo.

 

FILMOGRAFIA:

 

“Pemanent Vacation” (1980)
“Estranhos no Paraíso” (Stranger than Paradise, 1983)
“Daunbailó” (Down by Law, 1986)
“Coffe and Cigarettes” (1986)
“Trem Mistério” (Mistery Train, 1989)
“Uma Noite sobre a Terra” (Night on Earth, 1991)
“Dead Man” (1995)
“Year of the Horse” (1997)
“Ghost Dog, Matador Implacável” (Ghost Dog, 1999)
“Ten Minutes Older: the Trumpet” (2002)
“Sobre Café e Cigarros” (Coffe and Cigarettes, (2003)

“Flores Partidas” (Broken Flowers, 2005)  

 

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Ações

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14 responses

9 03 2009
João Paulo

Se esquecesse da participação especial dele em Bob Esponja no episódio do anzol … eheheh

Mas é um diretor que merece o respeito e o prestigio … e a prova que não é preciso se vender para ser bem sucedido em Hollywood …

abraços

9 03 2009
Sérgio Déda

Conheço muito pouco do diretor, mas sou completamento louco para assistir Sobre Café e Cigarros… nunca tive a oportunidade, mas um dia hei de assistir.

até

9 03 2009
Otavio Almeida

Caraca! O nível tá subindo aqui! Muito bem!

Abs!

9 03 2009
- cleber

Já ouvi falar de diversas obras do mesmo, mas não tive a chance de ver nenhuma delas ainda !

Abraço!

9 03 2009
Louro

gosto muito deste realizador, pricipalmente dos filmes Down by Law e Dead Man, tenho de ver o Ghost Dog.. Post muito bom sobre um grande realizador..

9 03 2009
Louro

gosto muito deste realizador, pricipalmente dos filmes Down by Law e Dead Man, tenho de ver o Ghost Dog.. Post muito bom sobre um grande realizador..
Abs!

9 03 2009
Denis Torres

João Paulo, dessa eu não sabia! Vou procurar na internet. Abs!

Sérgio Déda, comece pelos seus primeiros filmes. Abs!

Otávio, don´t forget: you´re the man!

Cleber, veja o que puder do cara, pois vale a pena.

Louro, que bom que conhece alguns filmes dele! Veja Estranhos no Paraíso e Mistério Trem. Abs.

9 03 2009
Alex Gonçalves

Denis, eu não conheço nada sobre o cinema de Jim Jarmusch, com exceção de “Flores Partidas” (que já assisti e que considero razoável) e alguns títulos que já ouvi detalhes sobre a trama (como “Sobre Café e Cigarros”, que tenho em DVD). Mas já vou ficar antenado quando surgir mais novidades desse “The Limits of Control”.

10 03 2009
Kau

Sabe quando vc conhece mais os trabalhos do que o próprio diretor? Pois é, isso acontece comigo no que diz respeito à Jarmusch. Assisti só três filmes de sua filmografia: Daunbailó (que achei meio complicado), Sobre Cafés e Cigarros (simpático e alguns dos curtas bem originais) e Flores Partidas (lindo!!).

Abs!

10 03 2009
Kamila

Do diretor, eu só assisti à “Coffee & Cigarretts”. Ou seja, ainda tenho muito o que ver dele..

11 03 2009
fabiana

Flores partidas é foi o único que assisti. E eu sei que Permanent vacation inspirou uma música do REM com o mesmo nome!

17 03 2009
Vulgo Dudu

Jarmusch é um dos meus diretores preferidos. Down by law está no meu Top 3 e é, na minha opinião, a sua obra-prima. E outra aparição sensacional nos filmes dele é do cantor Screamin’ Jay Hawkins, excelente tanto nas trilhas sonoras (“I put a spell on you”, em Stranger than paradise) quanto atuando (recepcionista de hotel, em Mistery train). O Jarmusch praticamente resgatou a carreira do cara, felizmente!

Abs!

4 11 2009
TIBIRIÇÁ DA COSTA

NÃO CONHECIA O TRABALHO DO JIM JARMUSCH,E COMO ESTOU ESTUDANDO CINEMA E REALIZANDO ROTEIROS GOSTEI DE UM COMENTÁRIO FEITO POR ELE SOBRE ORÇAMENTO E PRODUÇÃO DE FILME.PARAECE QUE SENDO INOVADOR NA SÉTIMA ARTE EM PRODUZIR COM QUALIDADE E COM BAIXO ORÇAMENTO NOS TEMPOS MODERNOS ESTAREI ASSISTINDO ALGUNS FILMES DELE PARA APRENDER MAIS.
VALEU O TEXTO SOBRE ELE NO SITE DE VOCES GOSTEI MUITO.

30 09 2010

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