Anticristo (Antichrist, 2009) de Lars Von Trier

29 08 2009

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Em Anticristo temos uma mistura do cinema psicólogico e religioso do sueco Ingmar Bergaman e do modo lento e reflexivo do russo Tarkovski (cujo filme é dedicado). Em termos de narrativa o filme é soberbo, dividido precisamente em um belo prólogo com a linda Lascia ch´io pianga, de Handel, como trilha de fundo. Quatro partes (Luto, Dor, Desespero e os três mendigos) formam a principal história, fechando num breve epílogo.

A história conta a recuperação de um casal após a trágica morte de seu filho. William Defoe (perfeito no papel) é o marido psicanalista e Charlotte Gainsbourg (numa soberba e corajosa atuação) a sua esposa escritora. No filme eles não possuem nome próprio e isso claramente é intencional pois Lars fala de sentimentos universais e não quer se prender a nenhum tipo específico.

Na tentativa de auxiliar a sua esposa, que sofre de uma profunda depressão e ansiedade, Defoe faz com que a mesma confronte seus piores medos como parte da terapia e a leva para uma cabana isolada no meio da floresta, que teria sido usada pela mesma quando estava reclusa com seu filho, trabalhando no preparo de um livro sobre o Éden. A partir dai, para usar uma popular frase americana, all hell breaks loose.

Os simbolismos do filme falam de culpa, dor, perda, sexualidade, violência e loucura. A natureza é o principal personagem do filme, aqui descrita como “a igreja de satã”. Natureza esta tanto a que vemos no seu plano físico como aquela intrínseca a todos nós. Fica evidente um manifesto que o mal é um bem necessário e não há moralidade que se sustente quando nos confrontamos com nossos sentimentos mais primitivos.

A respeito da personagem feminina não enxergo nenhuma misoginia no filme e sim uma admiração inconteste pelo ser feminino, admiração tão forte que chega a causar inveja. A mulher representa o todo, ela é completa, é a causa de nossos males e bençãos. Em resumo: a caixa de Pandora se abriu e jamais será fechada.

O filme parece, em vários pontos, se tratar de uma busca de recuperação pessoal. E por mais radical que possa parecer, eu acredito na expurgação desses demônios que atormentam a vida de uma mente brilhante e criativa através de situações absurdas à primeira vista. E essas cenas são muitas vezes chocantes, mas cheias de nuance, e se encaixam perfeitamente na ideia e proposta demente de Lars.

Anticristo é mirabolante e, com seu final apoteótico e pertubador, consegue manter a certeza de temos visto algo único, bizarro e apaixonante. E quando chega os créditos a sensação é de uma experiência extremamente recompensadora. Aleluia.





O novo dos irmãos Coen: A Serious Man (2009)

26 08 2009

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Essa nova pérola dos irmãos Coen deve estrear dia 2 de outubro nos EUA, com data prevista para 4 de dezembro por aqui. Alguém tem dúvida que vem um filmão aí? Eu não…





A Partida (Okuribito, 2008)

22 08 2009

okuribito

Há filmes e há… filmes. Há um sopro de esperança e beleza na humanidade após filmes como esse. Não é exagero; quem assiste a esse espetáculo e não se comove está mais morto que os defuntos que o personagem principal, Daigo, cuidosamente limpa e arruma para a cerimônia de despedida.

Daigo (Masahiro Motoki) sempre sonhou em ser um grande violoncelista, por infuência do pai, porém quis o destino que sua vida tomasse um rumo inesperado. Sofrendo de uma crise existencial profunda, ele acaba se tornando um “Nokanshi”, espécie de agente funerário responsável por acondicionar os corpos e deixá-los como quando eram vivos. Detalhe: tudo isso deve ser feito em frente à família do morto, o que requer extrema precisão e habilidade, a fim de evitar constrangimento e prestar o tributo final da família ao falecido.

Tudo é feito com muita dignidade e respeito. As famílias se emocionam ao ver seu entes falecidos como eram em vida. As situações que ocorrem no aprendizado de Daigo são tristes, incomuns e, às vezes, até divertidas. Porém, sempre enriquecedoras. Apesar disso, a profissão é vista com certo preconceito por pessoas mal informadas, a ponto de Daigo envergonhar-se à princípio e esconder suas atividades da esposa.

Nesse processo de adaptação, ele acaba conhecendo mais de si mesmo, pois o confronto com a morte diariamente suscita nele o gosto da vida, além de trazer à tona certos conflitos mal resolvidos no passado. O seu mestre nesse arte de embelezamento dos corpos é o seu patrão, o engraçadíssimo e irônico Ikuei (Tsutomu Yamazaki). A sua participação enriquece o filme de maneira deliciosa. É ele também que o introduz na arte do comer bem. Infelizmente, rsrs (só assistindo o filme você entende).

Se já é difícil escrever poesia no papel, fazê-la no cinema, que é arte do movimento, sem parecer chata, redundante ou pretensiosa é para poucos. E por isso A Partida merece aplausos de pé. O seu diretor, Yojiro Takita, conseguiu fazer um filme belíssimo, que nos faz refletir sobre diversos valores. O que esperamos e queremos de nossa vida.

A cena final, a qual não posso descrever, é emocionante demais. São tantas emoções em conflito, que fica difícil não se apaixonar por essa pequena pérola e seu personagem desajustado à procura de raízes. Raízes que se foram e raízes que estão para se formar. Todo mundo morre, mas o que importa é o legado.

P.S.: Ouvi gente reclamar que A Partida é aquele tipo de filme pasteurizado, feito para agradar e ganhar prêmios. Gente, cinema é diversão também. Parem de achar que só para ter um valor artístico e cult, os filmes não podem passar perto do Oscar. A adaptação é necessária e nada do que foi apresentado no filme foi desvirtuado a ponto de parecer “fake” ou estragar a história.





Delírio! Delírio! Delírio! O teaser trailer de AVATAR.

20 08 2009

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BRÜNO

17 08 2009

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Brincadeira esse filme! Muito hype pra algo que não é tudo isso. Senti saudades de Borat, com seu humor muito mais incisivo e menos cansativo. Brüno diverte em alguns momentos, com sua incansável busca pela fama, mas no seu total deixa a desejar, pois piadas estritamente sobre homossexuais e seu “mundinho” fashion durante um filme inteiro deve servir ou ser um prato cheio somente para… homossexuais.

Aliás, durante a sessão alguns deles rolavam de tanto rir, o que mostra que o filme não é tão polêmico assim e não atinge nada que seja de cunho preconceituoso no seu extremo. O filme teve cortes, pelo que li irrelevantes, o que me leva a perguntar se a falta de ousadia foi dos produtores ou do próprio Sacha. E olha que o que não faltam são piadas escrachadas levadas ao extremo. Sejam elas de mau gosto ou não depende do nível social e intelectual de cada um.

Entenda o que eu digo, o humor de Sacha Baron Cohen é daqueles extremamente escroto, mas feito com inteligência e sem papas na língua. Doa a quem doer. E aqui não senti esse incomôdo vital para uma obra desse tipo.

Enfim, são 75 minutos de projeção que passam rápido mas que tem a desvantagem (ou vantagem?) de serem esquecíveis assim que se pisa fora da sala de cinema. Depois de alguns dias a gente não lembra tanto assim do filme ou vê algum sentido no que foi apresentado.

De qualquer forma, é uma comédia que vale a pena ser vista pelo seu humor insano e irreverente. Só esperava que esse humor fosse mais amplo e abrangente, pois Sacha Baron Cohen tem talento e inteligência para tal. Será que dessa vez ele não escolheu um alvo errado?





Selo Master Blog

17 08 2009

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Hoje o André C., do você viu? eu também! me presenteou com o Selo Master Blog, e fiquei honrado pela lembrança dele.

Obrigado André C. pela lembrança e por dividir a sua grande experiência cinéfila e blogueira com a gente!

Bem, segundo as regras do Selo Master Blog, criado pelos blogueiros do Ká Entre Nós, a gente precisa: colocar no início de seu post o nome do blog que te indicou ao prêmio; escrever uma mensagem de agradecimento ao blogueiro que te indicou; postar o selo; abaixo do selo descrever 5 características suas e indicar o prêmio a 5 ou mais blogs para receber o selo.

Bem, aí vão as minhas 5 características.

1. Cinéfilo demais
2. Torcedor do maior time do Brasil
3. Sincero
4. Bem-humorado
5. Apreciador das coisas simples da vida

Indico os seguintes blogs: Hollywoodiano, Cinéfila Por Natureza, Cine Vita, Tudo É Critica e Blog do Vinicius.

Até mais,
Denis Torres.





John Hughes is dead (1950-2009)

6 08 2009

CA.0820.hughes

Morre o maior diretor de comédias adolescentes dos anos 80, um dos precursores desse gênero. Filmes como Gatinhas & Gatões, A Garota de Rosa Shocking, Antes Só do que Mal Acompanhado, Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos 5 fizeram a cabeça juvenil deste que vos escreve. Logo mais farei um especial deste cineasta pouco lembrado.