Sherlock Holmes (2010)

9 01 2010

Sherlock Holmes de Guy Ritchie é um filme que consegue juntar o velho e o novo de forma eficaz e sem se tornar uma mistura desagradável de estilos e épocas. Está tudo ali: a recriação perfeita da Londres suja e escura, com seus monumentos vitorianos e becos estreitos. A sequência inicial do rito profano me fez lembrar o encantador “O Enigma da Pirâmide”, de tão parecido que é o cenário em que o rito foi praticado. O popular filme dos anos 80 até hoje tem fiéis seguidores e se tornou um cult.

Bem, quanto à nova forma de apresentação, Guy Ritchie não faz mirabolantes experimentos visuais em detrimento da história, que achei bastante coesa. Se não excepcional e muito familiar, o roteiro pelo menos é bem construído e os diálogos são espertos e mordazes. A técnica “momento a momento” (imagem em slow motion com riqueza de detahes) é bem usada, principalmente nas lutas em que Sherlock Holmes antevê seus golpes e na bela sequência da explosão.

O ponto alto do filme, na minha opinião, é a relação simbiótica e diria até “ciumenta” entre Holmes e Watson, aqui muito bem interpretados por Robert Downey Jr. e Jude Law. Os dois são praticamente inseparáveis e irmãos no melhor sentido do termo. A amizade dos dois personagens chegou até a me lembrar a de Frodo e Sam, de “O Senhor dos Anéis”, só que aqui ela possui aquele indefectível humor inglês.

(Isso talvez dê margem para suposições maldosas? Sim, e o que importa? O mesmo aconteceu com o “Senhor dos Anéis” na cabecinha dos entendidos.)

Outros personagens importantes são Irene Adler (Rachel McAdams), trambiqueira profissional e antigo caso amoroso de Holmes e Lord Blackwood (Mark Strong), o vilão do filme. Já o inspetor Lestrade (Eddie Marsan) serve apenas para ilustrar quanto à frente está Holmes na sua sagacidade e inteligência em resolver do mais simples ao mais complexo mistério.

Enfim, pode ir ver sem medo, pois mesmo sendo um filme da época da velha Inglaterra industrial, com seu ar pesado e poluído da então maior potência do mundo, o ritmo é leve e ágil e com abordagem moderna que satisfaz e cumpre pelo menos a função básica de divertir. O mito e personagem Sherlock Holmes foi bem reciclado e atualizado para as novas gerações e, como diziam os antigos, segue com grande cartaz na praça.

Não chega a ser um filmaço, mas tem os seus bons momentos e acredito que a sequência engatilhada com o arquivilão de Holmes será ainda mais interesssante, o que infelizmente não aconteceu em “O Enigma da Pirâmide” devido ao seu pouco sucesso nas bilheterias da época. Elementar, meu caro leitor.

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