O Mensageiro do Diabo (1955)

14 01 2010

O Mensageiro do Diabo é um filme que traz à tona diversos dos medos que muitos de nós tínhamos quanto éramos crianças. Medo de perder a família, medo de pessoas desconhecidas, de ter que se virar sozinho no mundo. O filme dirigido por Charles Laughton, alguém totalmente inexperiente na direção, mas que fez trabalhos importantes como ator entre os anos 30 e 60, como Spartacus e O Corcunda de Notre Dame, cria um clima assustador não só para crianças, mas para muitos adultos também. Com a ajuda da maravilhosa fotografia em preto-e-branco, e com um dos personagens “demoníacos” mais interessantes do cinema, este é outro clássico inesquecível que deve ser conferido por todos os cinéfilos.

O reverendo Harry Powell não é bem o que aparenta ser: utilizando-se de palavras da Bíblia e belas canções religiosas, e com a ajuda de seu carisma que consegue conquistar rapidamente as pessoas, ele é na verdade um golpista que se aproveita da situação de recém-viúvas para tirar dinheiro delas. Sua nova vítima é Willa Harper (Shelley Winters), que perdeu seu marido, enforcado por assassinato. Mas esta é uma situação especial para Harry Powell: ele acaba descobrindo de Ben, o marido enforcado, enquanto estava preso na penitenciária por furto de carro, que há na cidadezinha onde morava uma fortuna de 10 mil dólares escondida em algum lugar (para a época do filme era uma fortuna, pelo menos). Assim que sai da prisão, Powell investe sua melhor lábia para conquistar a família de Ben e tentar descobrir onde o dinheiro está. A família conta com duas crianças, John e Pearl, que sabem a localização do que Powell mais deseja, mas elas não estão dispostas a dividirem o segredo com ninguém.

A história é realmente interessante, e o personagem de Powell, através da maravilhosa interpretação de Robert Mitchum, é o principal responsável pelo seu sucesso. Com um rosto agradável e bom de papo, ninguém, a não ser o pequeno John, consegue identificar que por trás de sua máscara de bondade está, na verdade, alguém diabólico. A narração, logo no início do filme, deixa o espectador a par disso (“a raposa na pele de carneiro”), e tento imaginar se o filme não seria ainda melhor, em termos de suspense, se o roteiro fosse mostrando a face maligna de Powell apenas através do tempo. Ainda assim o clima de suspense é imenso, já que Powell demonstra ser uma figura assustadora para John, que é o único que entende seus reais objetivos.

Mas as qualidades que tornam esse suspense único não acabam no personagem de Mitchum. É surpreendente constatar (pelo menos foi para mim), que um diretor novato na profissão como Laughton tenha conseguido, logo em seu primeiro grande filme (e infelizmente foi também o último na profissão de diretor), realizar um trabalho com uma atmosfera tão perfeita quanto a deste. Claro que isso foi feito em conjunto com o cinematógrafo Stanley Cortez. Ambos criaram um clima, através de ângulos de câmera quase sempre perfeitos (contanto, inclusive, com maravilhosas tomadas aéreas da cidadezinha, coisa rara para a época), e um uso de sombras muito feliz, que engrandece os personagens e fazem muitas cenas ficarem inesquecíveis. A maior das cenas, sem dúvida, é a em que a atriz Lillian Gish, sentada em uma cadeira e com uma espingarda na mão, vigia suas crianças (entre elas John e Pearl, agora já fugidas de casa) na frente da janela, enquanto logo do lado de fora está Powell, sentado em um tronco de árvore aguardando o momento certo para atacar. A tensão, e ao mesmo tempo a emoção (ambos cantam a lindíssima música “Leaning on the Everlasting Arms”), fazem desta cena em particular a melhor de O Mensageiro do Diabo. E há ainda pelo menos outras três cenas magníficas, que não citarei aqui para não estragar qualquer surpresa.

Infelizmente o filme está longe de ser perfeito. E suas fraquezas estão tanto em algumas interpretações quanto no roteiro. A atriz mirim Sally Jane Bruce é uma gracinha, mas o diretor estava correndo o risco ao escalar em seu roteiro uma personagem tão nova, mesmo que necessária. Sally tira boa parte da tensão das cenas em que está presente (e muitas delas são importantíssimas), por não ter expressão. Veja bem, a culpa não é apenas da atriz, já que ela é realmente muito nova para ser cobrada (tinha seis anos durantes as filmagens, provavelmente), além do quê suas falas tornam-se irritantes ao longo do tempo, já que ela não consegue ver o mal em Powell, pois mesmo presenciando esse mal na sua frente, ela está sempre clamando por ele, o que torna-se irreal e um tanto forçado. Tirando a parte de Pearl, o filme e o roteiro também demonstram fraquezas em outros momentos, muitas vezes fantasiando demais as ações de Powell: ele pode exercer o mal, mas isso não dá à ele a capacidade de desaparecer do nada, na sua frente, como acontece algumas vezes. Ainda assim, o limite do aceitável, para não transformar Powell no estereótipo do vilão, é sempre mantido, felizmente.

Eu já falei antes, mas apenas rapidamente, sobre a parte musical do filme. Ele traz uma trilha sonora incrível (não disputou o Oscar, assim como o filme não foi indicado pra nenhum prêmio importante), desde a música de introdução, “Dream, My Little One, Dream”, até a já anteriormente citada, “Leaning on the Everlasting Arms” (esta de teor religioso, mas não menos bela por causa disso), juntamente com a trilha de fundo, trazem uma incrível força às imagens. Assim como todo o filme, a trilha é uma mistura entre o bem (no filme, as crianças; na trilha, as músicas calmas e alegres, com mensagens de vida) e o mal (no filme, Powell, obviamente; na trilha, notas fortes e graves, tensas). Aliás, tudo dentro do filme parece ser uma antítese, sempre há o lado bom e o mau, como conta uma história do próprio Powell e suas mãos decoradas com as palavras “LOVE” and “HATE”. Uma jogada de mestre do roteiro.

O Mensageiro do Diabo não é um clássico muito conhecido, talvez porque não teve destaque nos Oscars – parece ser uma pré-condição para um filme virar clássico, em muitos casos. O que é uma grande bobagem, claro, já que o Oscar em boa parte das ocasiões não é sinônimo de justiça. Ainda assim, é um grande suspense, e qualquer fã de Hitchcock deveria experimentar, caso ainda não o tenha feito. O personagem central é incrível, a trilha sonora e a fotografia são obras-de-arte, e mesmo com as escapadas e forçadas de barra que o roteiro apresenta (tudo para gerar mais impacto dramático, mas ainda assim são forçadas de barra), é um filme que tem tudo para ficar na imaginação de quem o assiste.

(Por Alexandre Koball)





Boêmio Encantador (1938)

24 06 2009

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Quem não gosta dos filmes americanos dos anos 30 e 40, as famosas “screwball comedies” ou é porque não conhece ou não deve bater muito bem da cabeça. Esse filmes foram feitos na época da Grande Depressão americana. Não há grandes cenários e nem aqueles melodramas gigantescos e as principais caractéristicas deles são os diálogos inteligentes e ousados, uma mudança de valores nos papéis sociais e principalmente o bom humor. Tudo isso numa velocidade incrível. Eu acho que a dureza desses tempos fez todo mundo ficar esperto, não perdendo tempo com balelas e indo direto no ponto.

Boêmio Encantador é o menos conhecido deles e na época fracassou na bilheteria, mas mesmo assim é um exemplar genuíno desse tipo de filme americaníssimo tanto quanto os westerns. O grande diretor Geoge Cukor, o responsável por esta pequena obra-prima, é mais conhecido, por exemplo, por filmes como Núpcias de Escândalo (1940), Costela de Adão (1949) ou Nascida Ontem (1950).

Cary Grant e Katharine Hepburn, vindos logo após a obra-prima e screwball comedy por excelência Levada da Breca (1938), de Howard Hawks, já se conheciam e possuiam um entrosamento natural e incomum. Aliás, que atores! Não há mais o encantamento, charme e simplicidade que atores desse calibre possuem. São verdadeiros mitos, em sua essência cinematográfica. Eu desafio e sei que poucos atores atuais teriam o mesmo jogo de cintura e carisma. É simplesmente talento natural.

Johnny (Grant) conhece Julia (Doris Nolan), irmã de Linda (Hepburn) numa viagem. Logo se apaixonam perdidamente e resolvem se casar. Mal sabe Johnny a enrascada que se meteu, pois Julia é filha de um banqueiro riquíssimo (Henry Koller) e de família tradicional, os Seatons. Por isso deve passar por uma série de exigências do pai da noiva para que o casamento seja aprovado. Johnny, com ideais liberais e espírito independente, ainda não encontrou um sentido para a sua vida no mundo e acredita que a riqueza material proporcia meios para uma auto-descoberta, mas não é o seu objetivo final.

O filme possui uma crítica velada (ou nem tanto) ao capitalismo e tem cenas memoráveis. Um dos destaques é o elenco secundário: Edward Seaton (Lew Aires), irmão de Julia e Linda, está impagável como o alcoólatra rico e frustado, sempre com uma tirada esperta sobre o modo de vida dos ricos. Além dele, o casal cômico Potter (Edward Everett Horton e Jean Dixon), amigos de Johnny, reforça a idéia de que a felicidade ou um modo de vida mais satisfatório é mais facilmente encontrado na simplicidade do que na soberba dos ricos.

Boêmio Encantador é por isso mesmo um pouco mais sério e menos espalhafatoso que outros do gênero e talvez não tenha sido devidamente apreciado. Agora finalmente saiu em dvd no Brasil. Veja e comprove.

Como todos filmes dessa época e estilo, a duração é  curta e o ritmo do filme é tão rápido que quando você vê, já acabou… deixando sempre aquele gostinho de quero mais. Programaço.





Maurice Jarre, um gênio (1924-2009)

30 03 2009

Hoje é um dia muito triste para o cinema, pois morreu um dos maiores compositores de trilhas sonoras da sétima arte.  A trilha feita por Jarre para Lawrence da Arábia com toda aquela suntuosidade e exoticidade até hoje me emociona e é uma das coisas mais lindas já feitas para um filme. De arrepiar todos os fios do cabelo.

Quando eu penso num deserto, a sua música grandiosa logo vem à minha cabeça. E quem não conhece o famoso tema de Lara, feita para o épico Doutor Jivago? Maurice Jarre foi responsável por uma infinidade de grandes trilhas para o cinema e mesmo quando o filme não fosse tão bom, seu trabalho sempre era pautado pela qualidade. Ele trabalhava a sétima arte em sua essência, pois todo grande filme merece e deve ter uma trilha de qualidade.  

Com a grande música de Jarre, eu facilmente posso fechar meus olhos e lembrar quando Lawrence apaga a chama do fósforo e nela a famosa cena se funde com a imagem do deserto. E nisso viajar pelas dunas  gritando a plenos pulmões: To Aqaba!!!





CIDADÃO KANE (1941)

28 02 2009

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Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941). Quem já não se cansou de ver este filme na lista dos melhores filmes de todos os tempos ou frequentemente votado como “o melhor filme já feito”? Lógico que isso não existe. Saber se tal ou qual é melhor na esfera artística é tão subjetivo como perguntar se eu gosto de um prato de comida que você detesta. Agora, num ponto, todo mundo que é apaixonado por cinema concorda (ou pelo menos deveria): Cidadão Kane é um dos filmes mais importantes e influentes da história cinematográfica.

Kane já nasceu ambicioso desde sua concepção e somente um gênio shakesperiano como Orson Welles (em seu primeiro filme) poderia executá-lo com ousadia e sem medo de errar. Contar o que foi (e como foi) a vida de alguém desde o seu começo até o seu fim poderia ser uma tarefa chata e pouco prazerosa, tanto para quem faz como para quem assiste.

É lógico que Welles não era bobo nem nada e se aproximou dos melhores profissionais de seu tempo. Gente como o fotográfo Gregg Tolland, que filmou os tetos e usou o plano de fundo inserido no contexto da história como nunca antes feito; e Bernard Hermann, um dos maiores compositores de trilhas sonoras para o cinema e o preferido de Hitchcock, com quem viria a trabalhar em diversos filmes do mestre inglês. Temos também um excelente roteiro de Herman J. Mankiewickz, em parceria com Welles, e que até hoje é motivo de polêmica se a autoria de grande parte da história é sua ou não.

Enfim, tinha tudo para dar certo e deu. Além disso, Welles reuniu amigos de seu círculo teatral e muitos atores atuavam pela primeira vez na telona, o que contribuiu imensamente para as performances despojadas e divertidas do clássico – um filme com a ingrata missão de contar a história de um personagem real e poderoso não poderia ter muita gente com o rabo preso.

Este texto não pretende se ater às diversas polêmicas batidas do filme e vai direto ao ponto: Charles Foster Kane, o Cidadão Kane, foi baseado na figura do magnata William Randolph Hearst, dono de um império jornalístico imenso que controlava as opiniões das massas de forma quase ditatorial. A única coisa engraçada e interessante a respeito de Hearst é que um dos motivos de ele ter se enfurecido, logo após a exibição do filme, foi o uso da palavra Rosebud, o grande mistério do clássico. No longa, vários jornalistas tentam descobrir o sentido dessa palavra proferida por Kane antes de morrer. Sendo assim, entrevistam todos aqueles que conheceram o magnata intimamente durante sua vida.

Agora adivinhe o porquê desse estardalhaço todo causado por Hearst? Rosebud (que em português significa “botão de rosa”) era o modo carinhoso como Hearst chamava a parte íntima de sua mulher. Além de não ter gostado do modo como foi biografado, Hearst destruiu cópias do filme e difamou o mesmo em seus jornais, o que causou uma má bilheteria nos cinemas. Sim, Hearst serviu de inspiração, mas é apenas um personagem como todos os demais e a busca de Orson Welles é muito mais profunda, e não vale a pena ver e analisar o filme por sua intriga e fofoca.

Várias sequências são antológicas e fica difícil citar todas, mas desde a abertura, em que o belo e sinistro tema de Hermann se sobressai, nós entendemos como a platéia da época testemunhou algo diferente. A câmera se aproxima e atravessa as grades do império Xanadu (ou seria um presídio voluntário?) pouco a pouco até o momento em que a luz da janela do castelo se apaga e a palavra Rosebud é sussurrada, ecoando de um modo surreal e seguido pelo close-up da mão, que solta a bola de neve que se espatifa no chão, culminando com a morte de Kane.

Nunca me esqueci desse começo invertido, pois o personagem principal do filme morre na abertura e ao longo do filme somos obrigados a conhecê-lo via flashback, um recurso usado à exaustão hoje em dia. O mais interessante é que os flasbacks são inseridos de acordo com a visão de diversos personagens – são vários pontos de vista, o que enriquece o filme de maneira ímpar.

Cidadão Kane é exemplar por sua contribuição na inovação técnica em diversos setores, mas nada disso seria tão importante se não fosse acompanhado por uma boa história, e muito bem contada por sinal. É notável a boa vontade de Welles de colocar a obra acima de tudo e de todos. E ainda que o filme sofra em alguns momentos por aquela “consciência de si mesmo”, ele se supera pela dedicação, carinho e esforço de Welles e seus amigos.

Mas, no fim, o que é Rosebud? Numa resposta fácil, trata-se do trenó de Kane, símbolo que o faz lembrar de sua alegre infância antes de se separar de sua mãe para assumir o império material a que estava destinado. Mas Rosebud é muito mais do que isso. A palavra representa o único momento feliz na vida de um homem, que teve tudo e não teve nada, pois não soube transformar seus recursos em enriquecimento espiritual. Kane não soube viver a vida de um modo menos agressivo e capitalista.

Rosebud é a busca do tempo perdido a que todos estamos submetidos – de ter feito “de tudo” o que Kane queria e mesmo assim não ter conseguido encontrar a verdadeira grandeza que tanto anseava. É  aquela velha e eterna insatisfação da humanidade. No final, o que parece restar no filme é esse remorso todo melancólico. Até agora, sem muito esforço de memória, ainda consigo escutar o fogo crepitar e o trenó queimando na grande fogueira. E as belas notas musicais de Hermann subindo e descendo enquanto a câmera se despede naquele plano final soturno e majestoso.

(Publicado originalmente no blog Hollywoodiano em 22/10/08, do grande Otávio Almeida)





O maior filme romântico de todos os tempos.

5 02 2009

E não se esqueça: “We´ll always have Casablanca”.





Todos os Homens do Presidente (1976)

15 01 2009
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Teclas de uma máquina de escrever atingem a folha de papel com a força do disparo de uma arma. Assim começa Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men, 1976), um dos melhores e mais corajosos filmes norte-americanos da década de 70.


Alan J. Pakula dirigiu com maestria e fez algo extremamente difícil: transformar política e jornalismo investigativo numa obra de arte agradável, sem se tornar chata e que prende a atenção do espectador como todo bom thriller.

O filme conta a história do escândalo do Watergate, que foi um dos casos políticos mais escabrosos da história dos EUA, e que causou a renúncia do presidente Richard Nixon, em seu segundo mandato. Para quem não conhece muito bem, Watergate é o nome do edifício em que se localiza a sede do Democratic National Committee (DNC), lugar onde cinco homens da administração de Nixon tentaram se infiltar e foram pegos em flagrante. Isso gerou outros casos de implantação de provas falsas feitas pelo governo Nixon para derrubar seus oponentes, além de utilização de dinheiro de fontes duvidosas para promover sua campanha de reeleição. O filme é baseado no livro homônimo dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, interpretados respectivamente por Dustin Hoffman e Robert Redford. E essa é a grande sacada do filme: a derrocada de Nixon do ponto de vista dos jornalistas, que apenas faziam seus trabalhos.
 

A verdade é que Todos os Homens do Presidente não teria ido muito longe se não fosse por um funcionário do alto escalão do governo norte-americano, o misterioso (que existiu na vida real) Deep Throat. É ele quem dá dicas quentes ao personagem de Redford para que a investigação siga no caminho correto. Ele lembra muito o outro Deep Throat, aquele da série Arquivo X, de quem o detetive Fox Mulder (David Duchovny) recebia informações. Até os encontros são parecidos!
 

Vale mencionar que além dos ótimos atores principais, o filme tem um elenco de atores coadjuvantes do mesmo nível, com destaque para Jason Robards, que papou o Oscar interpretando o editor-chefe do jornal Washington Post. O filme também ganhou os Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, Direção de Arte e Som.

Todos os Homens do Presidente é uma história tratada com seriedade e não abre mão de apresentar os fatos tais como ocorreram, e recentes na época do lançamento – o filme foi realizado apenas quatro anos após o escândalo. É lógico que há elementos fictícios, mas nada que comprometa o essencial, que é a busca pela verdade e transparência perseguida com tenacidade e persistência pelos dois repórteres, que mudaram e criaram um novo modelo de jornalismo, mais competente e que não aceita desculpas fáceis.