Oscar 2009 – vencedores

24 02 2009

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A premiação desse ano foi melhorada com várias mudanças como o belo design do palco e a proximidade do mesmo com a platéia, além do maravilhoso telão, cujos reflexos se sobressaiam no palco. Tudo isso ajudou a criar uma atmosfera íntima e menos distante de outras edições. O modo de premiação dos atores foi bem interessante, no qual 5 vencedores de edições passadas comentavam e elogiavam as perfomances de cada um dos 5 indicados.

A escolha de Hugh Jackman como apresentador foi acertada e apesar de não ter participado tanto assim do show, ele deu conta do recado e foi um verdadeiro performer, se saindo muito bem nos números musicais.

Os melhores momentos foram as premiações de Sean Penn, Penelope Cruz e Kate Winslet, todos visivelmente emocionados. O prêmio de Heath Ledger causou uma comoção geral na platéia, mas o tratamento foi adequado pois a Academia não se alongou muito, o que poderia parecer piegas, se acontecesse.

Slumdog Millionaire foi o grande vencedor da noite, com 8 estatuetas. Essa cerimônia do Oscar não teve surpresas e seguiu o script à risca. A menor surpresa foi a vitória de Departures, como melhor filme estrangeiro. Aliás, o Japão não levava esse prêmio desde a década de 50. E o Brasil, será que algum dia leva?

A lista dos vencedores da noite:

FILME l Quem Quer Ser um Milionário?, Christian Colson

DIREÇÃO l Quem Quer Ser um Milionário?, Danny Boyle

ATOR l Sean Penn, Milk – A Voz da Igualdade

ATRIZ l Kate Winslet, O Leitor

ATOR COADJUVANTE l Heath Ledger, O Cavaleiro das Trevas

ATRIZ COADJUVANTE l Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

ROTEIRO ORIGINAL l Milk – A Voz da Igualdade, Dustin Lance Black

ROTEIRO ADAPTADO l Quem Quer Ser um Milionário?, Simon Beaufoy

FILME ESTRANGEIRO l Departures, Japão

ANIMAÇÃO l WALL-E, Andrew Stanton

DOCUMENTÁRIO l Man On Wire, James Marsh

FOTOGRAFIA l Quem Quer Ser um Milionário?, Anthony Dod Mantle

MONTAGEM l Quem Quer Ser um Milionário?, Chris Dickens

DIREÇÃO DE ARTE l O Curioso Caso de Benjamin Button, Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo

FIGURINO l A Duquesa, Michael O’Connor

MAQUIAGEM l O Curioso Caso de Benjamin Button, Greg Cannom

TRILHA ORIGINAL l Quem Quer Ser um Milionário?, A.R. Rahman

CANÇÃO ORIGINAL l “Jai Ho”, Quem Quer Ser um Milionário? (A.R. Rahman, Gulzar)

EFEITOS VISUAIS l O Curioso Caso de Benjamin Button, Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron

MIXAGEM DE SOM l Quem Quer Ser um Milionário?, Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pookutty

EDIÇÃO DE SOM l O Cavaleiro das Trevas, Richard King

CURTA-METRAGEM l Spielzeugland (Toyland), Jochen Alexander Freydank

CURTA DE ANIMAÇÃO l Le Maison en Petits Cubes, Kunio Kato

DOCUMENTÁRIO CURTA l Smile Pinki, Megan Myla

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O Cobiçado Oscar – Edição 2009

21 02 2009

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Mais um ano cinematográfico se passa e lá vamos nós quebrar as nossas cabecinhas com os preferidos de cada um. A Academia, por ser uma instituição muito “séria”,  resolveu ignorar O Cavaleiro das Trevas em favor de mais um filme sobre o Holocausto, aquele meia-boca chamado O Leitor. O meu filme preferido, The Dark Knight, não foi indicado nas categorias principais, por isso vou me limitar apenas aos meus palpites e preferidos entre os indicados em cada categoria. Que vençam os melhores – ou o mais próximo disso dentro dos que foram indicados: 

Melhor Filme:  

 

Palpite: Quem quer ser um milionário?

Preferido: Frost/Nixon

 

Melhor Diretor:  

 

Palpite: Danny Boyle, Quem quer ser um milionário?

Preferido: Ron Howard, Frost/Nixon

 

Melhor Roteiro Adaptado:  

 

Palpite: Frost/Nixon (ia ser lindo demais)

Preferido: Frost/Nixon

 

Melhor Roteiro Original: 

 

Palpite: MILK

Preferido: Wall-E (seria o mais justo)

 

Melhor Ator:  

 

Palpite: Sean Penn, Milk

Preferido: Mickey Rourke, O Lutador (quem desses 2 levar está de bom tamanho)

 

Melhor Atriz: 

 

Palpite: Kate Winslet, The Reader

Preferido: Angelina Jolie, A Troca

 

Melhor Ator Coadjuvante:  

 

“Palpite”: Heath Ledger, The Dark Knight

Preferido: Precisa responder? Aliás, se esse cara não levar o Oscar desligo a TV na hora.

 

Melhor Atriz Coadjuvante:  

 

Palpite: Penelope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

Preferido: Marisa Tomei, O Lutador (de novo quem dessas 2 levar está justo)

 

Melhor Filme de Animação:  

 

Palpite e Preferido: Wall-E (sem comentários, puro deleite visual)

 

 

Melhor Direção de Arte:  

 

Palpite: O Curioso Caso de Benjamin Button 

Preferido: O Cavaleiro das Trevas

 

 

Melhor Fotografia: 

 

Palpite: Quem quer ser um milionário?

Preferido:  O Curioso Caso de Benjamin Button

 

 

Melhor Figurino:  

 

Palpite: A Duquesa (prêmio de consolação?)

Preferido: O Curioso Caso de Benjamin Button

 

Melhor Edição:  

 

Palpite: Quem quer ser um milionário?

Preferido: Quem quer ser um milionário? (a melhor coisa do filme)

 

Melhor Maquiagem:  

 

Palpite: O Curioso Caso de Benjamin Button (só para provar que Brad Pitt é meio canastrão)

Preferido: O Cavaleiro das Trevas


Melhor Trilha Original:  

 

Palpite: Quem quer ser um milionário?

Preferido: O Curioso Caso de Benjamin Button

 

Melhor Música Original:   

 

Palpite: “Jai-Ho”, Slumdog Millionaire

Preferido: Down to Earth,  Peter Gabriel (brincadeira o que fizeram com o Bruce Springsteen!)

 

Melhor Edição de Som:  

 

Palpite:  O Cavaleiro das Trevas

Preferido: Go, Batman!

 

Melhor Mixagem de Som:  

 

Palpite: Wall-E

Preferido: Go, Wall-EEEEEEEEE!

 

Melhor  Efeitos Visuais:  

 

Palpite:  O Cavaleiro das Trevas

Preferido: Não tem pra ninguém, é Batman na cabeça!

 

Melhor documentário: 

 

Palpite: Man on Wire

Preferido: Não vi nenhum

 

Melhor Filme Estrangeiro: 

 

Palpite: “Departures”, do Japão

Preferido: Não vi nenhum





MILK – a voz da igualdade (2008)

12 02 2009

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Se tem filmes que fazem lembrar-nos de nossa condição humana, Milk é um deles.  Acima da evidente questão homossexual, este belo filme mostra o poder da mudança e da força de vontade.

Harvey Milk foi revolucionário e se mostrou à frente de seu tempo, pois ousou e fez o impensável. Como toda grande mudança, nada aconteceu do dia para noite. Foi preciso competência, persistência e aquela dose de sorte. E é nessa caminhada e transformação de Harvey Milk que se concentra o filme.

Além da sua coragem na sua luta contra os direitos gays, Harvey  se tornou, para inveja de alguns, um politíco perspicaz e com um grande jogo de cintura, algo indispensável para homens nessa posição.

Gay assumidíssimo, fez disso o mote de sua campanha e a bandeira com a qual ostentou até o fim de sua vida. Hábil com as palavras e excelente orador, começava  seus enérgicos discursos com o lema: “I want to recruit you” (Eu quero recrutá-lo), pois sabia como ninguém que para ter uma identificação com o público é preciso expor-se e despertar no outro o seu descontentamento, o que levava às massas ao delírio. 

Milk tem um roteiro que proporciona equilíbrio entre os diversos personagens, sem nunca cair naquela parte chata que alguns filmes políticos e com “uma mensagem” costumam oferecer.  Fotografia, direção de arte,  figurinos, tudo beira a perfeição e sentimos que estamos no meio da briga pelos direitos gays na São Francisco dos anos 70.

Sean Penn é um cara admirável. Sua atuação como Harvey é sublime e digna de aplauso. Não se esconde em nenhum momento e interpreta um personagem cheio de trejeitos, sem medo de ser feliz e nunca cai no exagero. E ainda por cima é doce e meigo, de uma ternura incrível mesmo. Isso é ator, meus caros amigos.

Ele é tão bom no papel que cheguei  a me perguntar: “Será que o Sean Penn é gay?” Não importa, o que importa mesmo é que Penn dá uma veracidade ao personagem de tal maneira que digo que é o ator mais merecido de papar a estatueta. Vou ficar muito feliz se ele ganhar o Oscar, mesmo que minha torcida seja por Rouke por motivos pessoais. É a melhor (e mais difícil) atuação dos 5 indicados.

O elenco de apoio é tão bom quanto, com destaque para James Franco e Emile Hirsch. Só não concordo com a indicação de Josh Brolin, talvez indicado apenas pela importância na trama, mas quanto a isso não me preocupo, pois Heath Ledger é o Coringa e contra o Coringa ninguém pode.

Milk é um espetáculo imperdível. E viva Sean Penn, alguém que vem pra ocupar o lugar de Clint Eastwood como um dos  grandes atores-diretores da nossa geração.

NOTA: 8.5

 





O Lutador (2008)

3 02 2009

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Um filme pé no chão, duro como a realidade.  A câmera acompanha a todo momento as costas calejadas de Randy “The Ram” Robinson e através desse personagem marcante somos levados a acompanhar sua jornada de redenção.  Eu nunca vi graça em luta livre e sempre achava tudo muito espalhafatoso e forçado, mas esse filme mudou minha concepção sobre wrestling.

Mesmo que muitos golpes sejam combinados anteriormente, o que esses lutadores passam não é brincadeira! E na verdade o que importa aqui não é tanto a competição em si, mas o espetáculo que cada oponente pode oferecer. E para oferecer isso ao público os lutadores se doam com cada fibra de seu corpo, com muitos hematomas, escoriações e sangue.

Randy “The Ram” está em fim de carreira e a cada dia fica mais difícil acompanhar os seus adversários, pois a idade chegou. Essa vida de excessos agora pede o seu preço, vida essa que teve alto custo em seu plano pessoal, pois foi um pai negligente e abandonou a sua única filha (Evan Rachel Wood), que nutre por ele um ódio que não deixa de ser apenas um amor mal correspondido.

Suas poucas amizades incluem a bela stripper Cassidy (Marisa Tomei, linda de morrer! E que corpo é aquele, hein?) no clube que freqüenta para ter momentos de prazer com uma quente lap dancing.

Um imprevisto força Randy a tentar fazer as pazes com seu o passado, mas será que não é tarde demais? Além disso, para poder se manter, Randy precisa realizar bicos numa rede de supermercados,  já que a luta livre não paga tão bem quanto antes.

O filme é carregado pela presença magnética de Mickey Rourke, tanto que  poderia se chamar Mickey Rourke, um lutador, tamanha a semelhança de um ator com o personagem representado.

Ele nos emociona de maneira única, sem nunca apelar para o sentimentalismo barato. Ele comanda tão bem o filme que acredito que Darren Aronofsky deve ter tido pouco trabalho com ele. Veja, por exemplo,  as cenas dentro do supermercado quando Randy precisa trabalhar com o público atrás do balcão. Pure charisma.

Diversos são os momentos memoráveis, como os diálogos com sua filha durante o passeio numa tentativa de reparação por seu passado indolente ou a sequência em que Randy se prepara para trabalhar atrás do balcão. A câmera o acompanha como se ele estivesse entrando no ringue para uma luta. Assim que ele adentra o seu local de trabalho, o murmúrio de vozes que parecia seu público se torna um repentino silêncio. Genial.

E o momento máximo do filme ainda reverbera em mim, no seu diálogo pungente com Cassidy antes da luta final. (Spoiler) Ali, olhando para o vazio, onde antes havia a única pessoa que se importava, ele sabe que não há mais retorno, não há mais o seu elo com o mundo exterior. Sendo assim, Randy decide se assumir por completo, com todos os seus defeitos, naquilo que mais amava e dava satisfação para seu espírito. Um salto para a sua glória pessoal.

A linda música-tema de Bruce Springsteen nos créditos finais só reforça isso. E que música! Uma composição tão bela quanto Streets of Philadelphia. Um casamento perfeito.

Tell me, friend, can you ask for anything more?





O Oscar errou. De novo.

28 01 2009

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Assisti os filmes O Leitor e Foi Apenas Um Sonho e digo com convicção: Kate Winslet deveria ter sido indicada ao Oscar de melhor atriz por Foi Apenas Um Sonho – ao menos indicaram Michael Shannon, cuja cena na mesa de jantar conseguiu suspender minha respiração.

Alíás, Revolutionary Road, esta pequena obra-prima de Sam Mendes, passou em branco nas categorias principais pois tenho certeza que sua história não deve ter agradado aos americanos mais tradicionalistas. Fazia tempo que não via um filme discutir relação de casal com tamanha propriedade. Ingmar Bergman, onde quer que esteja,  deve ter pensado: “Até que enfim alguém acertou e aprendeu alguma coisa  comigo!”. 

Outro  pecado foi deixar Leonardo DiCaprio fora da premiação, pois sua perfomance como o marido confuso é espetacular. Na minha opinião DiCaprio se tornou o ator mais talentoso e bonito de Hollywood nos tempos atuais. A evolução de DiCaprio, comparada a Brad Pitt, outro bonito rosto, é monstruosa. Questão de tempo para DiCaprio ganhar um Oscar, mesmo que ele não se importe muito com isso. Previsão: Shutter Island, o novo de Scorcese, deve corrigir essa lacuna.  

Ou você acha que um cara como Martin Scorcese pode estar errado?





O curioso caso de Benjamim Button (2008)

17 01 2009

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O Curioso Caso de Benjamim Button é um belo filme, que carrega em sua essência a experiência  rica de um bom livro, nesse caso um conto do grande escritor F. Scott Fitzgerald.

A história do homem que nasce velho e morre bebê é emocionante e similar às estripulias de um Forrest Gump, que é aquele sujeito por quem não se dá nada e que consegue ao longo de sua vida provar o contrário, vivendo fantasias que poucos conseguem. É aquela idéia do American Dream, onde todos podem ter seu lugar ao sol se batalharem por isso. Percebi isso logo no início do filme e tive minha impressão confirmada nos créditos, pois não sabia que o roteirista era Eric Roth, o mesmo de Gump.

A produção do filme é fantástica, com ricos detalhes e caracterização em todos os lugares em que se passa. Outro ponto importante a se ressaltar é a excelente maquiagem, pois quase não reconheci Brad Pitt quando velho. O modo de contar a história é similar a Titanic, ainda mais por usar uma velhinha que conhecia o personagem principal e teve o nele o grande amor de sua vida.

Um ponto a ser observado é a constante presença da morte, as cenas iniciais de Benjamin na velha pensão em Louisiana e a descrição de seus personagens é pura poesia e uma das melhores coisas do filme. Todos os personagens são marcantes, com destaque para Queenie, a mãe de Benjamin Button, interpretada por Taraji P. Henson.

Aliás, falando em atuação, Brad Pitt está ok, mas acredito que se ele realmente estivesse amadurecido como ator, esse seria um dos papéis de sua vida. Ganhando Oscar ou não, ele deveria ter aproveitado essa grande chance, pois o roteiro do filme é ótimo e esse é daqueles trabalhos que todo ator sonha conseguir.

Uma das lições que podemos tirar de Benjamin Button é o quanto devemos saborear cada bom momento que temos em nossa vida. Aliás, o inexorável tempo é a questão central do filme, personificado no belo relógio cujos ponteiros andam em sentido contrário, feito por um pai desolado que gostaria de voltar no tempo e reaver seu filho.

Todos temos escolhas e o livre-arbítrio é uma das maiores armas de qualquer ser humano, pois viver em arrependimento é terrível e desnecessário; e esperar alguma coisa acontecer não leva ninguém a lugar algum.( Aprendemos isso com o excelente personagem – e atuação – de Tilda Swinton).

Por isso siga o meu aviso e aproveite o máximo que puder, pois você pode não ter a sorte de ser atingido 7 vezes por um raio e sair vivo!

A melhor frase que define esse filme é dita pelo capitão Mike (Jared Harris), outro grande personagem do filme: “You can be as mad as a mad dog at the way things went. You could swear, curse the fates, but when it comes to the end, you have to let go”.